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Projetos de energia renovável somam R$ 20 bilhões em investimentos para o Ceará

| Novos leilões | A projeção é do secretário Maia Júnior, que condiciona o resultado ao desempenho dos projetos credenciados nos dois certames deste ano

08/06/2019 03:09:30

Surfistas na praia do Titanzinho, no bairro Serviluz, ao fundo torres de energia eólica. Projeto Fortaleza em 4 Atos - Surfe no Titanzinho.
Surfistas na praia do Titanzinho, no bairro Serviluz, ao fundo torres de energia eólica. Projeto Fortaleza em 4 Atos – Surfe no Titanzinho. (Foto: Camila de Almeida/O POVO)

Se o Ceará for bem-sucedido nos próximos dois leilões de energia deste ano, o volume de investimento em energias renováveis pode saltar dos atuais R$ 8 bilhões, dos projetos em andamento, para R$ 20 bilhões.

A projeção é do secretário do Desenvolvimento Econômico e Trabalho do Ceará, Maia Júnior. A concorrência, no entanto, é acirrada. Dos 1.581 projetos inscritos no Leilão A-4, que vai entregar energia daqui a quatro anos, e será realizado no próximo dia 28, apenas 9,2% estão no Estado.

A capacidade instalada dos 126 projetos no Ceará credenciados pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) chega a 5.011 megawatts (MW). Sendo 3.165 MW dos 82 empreendimentos fotovoltaicos e 1.846 MW dos 64 de eólica.

Já a Bahia, a que mais apresentou propostas neste certame, oferece 456 projetos, com capacidade de 14.007 MW. E o Rio Grande do Norte 10.518 MW em 305 projetos.

Para este leilão, a capacidade oferecida é de 51.204 MW. Mais da metade dela (51,27%) oriunda de fonte solar. Em seguida, aparecem eólica (45,13%) e o restante pulverizados entre hidrelétricas, pequenas centrais hidrelétricas, centrais geradoras hidrelétricas e termelétricas a biomassa.

O que vai determinar o sucesso ou não dos projetos previstos no Ceará é o apetite das concessionárias em comprar energia e o preço oferecido pelos empreendimentos. O menor custo por MW de energia vence. Mas, a depender da atual situação econômica do Brasil, o volume de contratações deve ser menor nesse leilão de junho, explica o consultor de energia da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec) e presidente da Câmara Setorial de Energias Renováveis, Jurandir Picanço.

Porém, o cenário deve melhorar em setembro, porque o leilão A-6 tem um horizonte maior para entrar em operação (de seis anos), acredita a presidente da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica), Elbia Gannoum. “O Ceará é um estado de destaque na história da energia eólica e acreditamos que seguirá tendo um papel importante”.

Maia Júnior está otimista. Ele diz que embora ainda não seja desta vez que o Estado retome a liderança no setor, hoje o Ceará é o terceiro no ranking, Se for bem-sucedido, como foi no leilão do ano passado, a possibilidade é ampliar os investimentos do setor para R$ 20 bilhões nos próximos anos. “No Leilão A-6, o Ceará disputa com um empreendimento que sozinho é mais de R$ 6,5 bilhões, uma termelétrica de 2,2 GW junto com projeto de infraestrutura de gás na região do Pecém”.

Ele destaca que algumas medidas estratégicas estão sendo tomadas para melhorar a ambiência de negócios no Estado. Cita que as linhas de transmissão, por exemplo, já não são mais um gargalo e os incentivos fiscais oferecidos têm conseguido diversificar a cadeia de fornecedores de equipamentos do setor, bem como, houve, no ano passado, a simplificação da legislação ambiental. “Não mudamos a lei, mas reduzimos a burocracia. Hoje todos os projetos cadastrados já estão com a licença”.

O cientista industrial e presidente da Gram-Eollic, Fernando Ximenes, diz que a melhora já começa a ser sentida, mas ainda levará certo tempo para se refletir de forma mais efetiva no resultado dos leilões. “Os projetos levam um certo tempo de execução. Um projeto eólico, por exemplo, leva mais ou menos três anos para ser concluído. Acredito que iremos reverter mais para leilões que forem realizados em 2021”. Ele ressalta que para se tornar mais competitivo o Estado também deveria avançar no marco regulatório específico do setor.

Regulação

Mesmo o Ceará tendo um grande potencial natural para energias renováveis, Fernando Ximenes acredita que o Estado ainda está aquém de outros em termos de marco regulatório para o setor de energia.

Ceará

Empreendimentos cadastrados

Fonte eólica possui 64 projetos cadastrados, com oferta de 1.846 MW

Fonte fotovoltaica tem 82 cadastrados, com oferta de 3.165 MW


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