No Brasil estamos vendo acontecer a formação de territórios independentes, com a força e o grito ganhando espaço na ilegalidade. Índios fecham estradas, cobram pedágios e vendem riquezas naturais. Nas cidades, gangues dividem bairros massacrando a população. Na construção civil, canteiros de obras são destruídos virando territórios de baderneiros. Em presídios, bandidos assumem o poder, como se estivessem no comando de seus quartéis, ordenando assaltos, rebeliões, milícias. Nos morros, traficantes exercem uma gestão “insocial”, impetrando leis e regimes de interesse do tráfico. São marginais exercendo, já há muito tempo, atividades ilícitas e o poder. Se a moda pega, famílias sérias, colonizadoras pioneiras e instituições detentoras de laudêmios, por exemplo, poderão ter o mesmo direito de cobrar pedágios em avenidas, ruas, praças e até assumir a gestão de espaços e linhas de transmissão em cidades, onde, aliás, furtos gigantescos de energia já acontecem. Estabelece-se a desordem e a impunidade, diante de uma fraqueza institucional, onde o poder ilegal tem mais força que o legal. Enquanto isso o desenvolvimento escoa pelo ralo de um pais em que se viu o êxodo rural e a falta de emprego serem superados com muita luta e suor daqueles que vivem dentro com dignidade e respeito à ordem. Parece que tudo foi esquecido, a desordem vence a ordem, o democrático direito à liberdade de ir e vir é confundido com anarquia, numa total falta de compromisso. Quando os poderes legais são tolhidos o desenvolvimento não acontece. Institucionaliza-se a desordem, a democracia vira tolerância. Enquanto o governo tolera, usando e respeitando a lei, o povo critica sofrendo com a desordem cotidiana; grupos anarquizam o país explicitando interesses particulares em territórios sem lei, inibindo a construção de infraestrutura, do desenvolvimento, do conforto e da harmonia social. A população vive presa em seus domicílios, transformados em verdadeiros “presídios particulares” de regime semi-aberto, saindo de manhã para trabalhar e retornando à noite para trancar-se. Enquanto isso, marginais e desordeiros vivem soltos. Temos todos a obrigação de tomar atitude, procurar soluções coletivamente, organizar e desenvolver um Brasil sustentável.

 

Fernando Alves Ximenes

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