Não há porque se discutir aqui sobre a seca ou a crise hídrica. A questão mais importante agora é termos consciência de que é preciso cobrar, urgentemente, a quem é de direito, uma solução que seja eficiente e permanente para o problema da seca no Nordeste, o que já deveria ter sido resolvido há décadas. Em pleno século XXI, não podemos aceitar que os nordestinos continuem dependendo e esperando apenas das chuvas, das rezas, da tecnologia dos carros pipas ou do seu precursor “jegue pipa”, com cabaças presas nas cangalhas de jumentos, como alternativas de solução aos problemas da seca.

Em 2008, uma solução encontrada para esse problema foi colocar em prática uma ideia centenária: a Transposição do Rio São Francisco. A água dessa transposição servirá para estoque d’água nos reservatórios nordestinos de quatro estados brasileiros. Hoje, devido à necessidade premente de água no Nordeste, não podemos desprezar os benefícios dessa solução, mas acelerá-la.

Porém, não devemos esquecer que, apesar deste insumo ser renovável, ele é limitado pela própria natureza e lembrar que, a natureza continuamente agredida, vem sofrendo constantemente, o que pode levar a falta d’água também no Rio São Francisco.

Diante deste cenário, é necessário buscarmos alternativas definitivas para a solução do abastecimento d’água no Nordeste. Para isto, precisamos primeiro sair do discurso comum acerca das culpas e de quem são os culpados por este problema. Também é necessário lutarmos para acabar com a receita e os prejuízos da seca. Feito isto, devemos partir para a concretização de uma medida definitiva para a solução do problema, e esta solução já existe: É a tecnologia de dessalinização da água do mar. Com essa alternativa viável e eficaz, tanto a população quanto 0 investidor que assumi- rá a construção de uma usina de dessalinização, ganharão. A população ganha porque irá consumir, diariamente, água potável dessalinizada; o investidor ganha também, porque o sal produzido será utilizado refinado e a água vendida, gerando com isso, ganho financeiro.

Chega de tantos relatórios, vamos praticar, a sede não espera. Sobre essa tecnologia da dessalinização da água do mar, muito já se discutiu ao longo dos anos, mas paradigmas estão sendo quebrados. O primeiro é que a energia solar para uso da dessalinização da água, antes considerada muito cara, não é mais vista desta forma, porque é gratuita, não é cara. Outro ponto positivo a favor da implantação de um projeto de dessalinização da água do mar é que a água do mar é infinita e, por isso mesmo, poderá ser utilizada sem limites de consumo, bastando apenas que seja dessalinizada.

A tecnologia de dessalinização a vácuo 100% solar existe, é cearense e é viável. Mas, por falta de informação e leitura sobre esta nova tecnologia, muitas pessoas permanecem ignorantes e desconhecem, totalmente, que o investimento e a manutenção de uma usina de dessalinização solar podem ser feitos através do próprio beneficiamento da produção industrial dos insumos minerais advindos da dessalinização da água, dentre eles, o sal. E assim, a usina dessalinizadora vira uma salina tecnológica.

NO Estado do Ceará, já existe uma parceria entre empresa e academia, com 0 envolvimento de Oito pesquisadores, para estudos sobre a possibilidade de construção de uma grande usina dessalinizadora offshore na costa cearense. Este projeto também poderá ser implantado em outras regiões do Brasil e do mundo. cujo objetivo principal é a produção de água potável mineral.

Com a possibilidade desse projeto se tornar inovação, posso afirmar que os brasileiros e os cearenses são sábios e devem aprender a explorar seu potencial, pois ninguém é mais sábio do que nós. Mas, apesar de reconhecermos a importância da inovação para a melhoria da Vida humana, 0 brasileiro ainda precisa quebrar preconceitos e um deles é quanto à inovação da dessalinização da água do mar.

Por isso, acredito que para a inovação acontecer no processo de dessalinização no Brasil, é necessário, concomitantemente haver investimentos e quebra de preconceitos quanto inovação. Dessa forma. do início da mudança de paradigmas até a água do mar virar bem de consumo da população, passando pela geração de receitas, impostos, empregos e renda, será preciso criar uma ambiência de negócios, muito diálogo e parcerias.

Para tudo isto acontecer, é necessário: criar negócio. fechar contratos confidenciais tecnológicos e de royalties e almejar o rendimento dos royalties para dessalinização solar a vácuo offshore acontecer e virar lucro para o pesquisador, empresa e investidor. A usina de dessalinização a vácuo solar off-shore Gram-Eollic, que está sendo projetada, produzirá 450 milhões de litros d’água por dia, para abastecer 600 mil residências ou milhões de pessoas. Esta usina poderá atender a cidade de Fortaleza ou ser instalada em outras regiões metropolitanas. Essa inovação já está concluída e a tecnologia com protótipo já foi por mim apresentada na Feira Internacional Expo Solar 2016 e no COBES — Congresso Brasileiro de Energia Solar em São Paulo. Os testes da tecnologia já foram feitos e agora estão sendo desenvolvidos os métodos e as diretrizes da A importância dessa tecnologia está, principalmente, nos benefícios do produto final que virá, o abastecimento d’água mineral para o consumo humano e o reuso do rejeito e refino do sal, produzido e industrializado pela dessalinização a vácuo solar offshore.

 

Categories: Energia SolarNoticias

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *

%d bloggers like this: